Arthur Borges Lacerda
Sucesso, felicidade, prosperidade e alegria, todo ser humano – independente de religião – busca, durante toda a vida. Em um mundo secular, onde se semeiam conceitos distorcidos, sofismas, influenciando a capacidade volitiva que, com entranhas impregnadas de relativismo e liberalismo moral, levam a sociedade, cada vez mais, a rumos obscuros, parece estranho falar em Santidade. Afinal , como pensam os mundanos, os santos que conhecemos dizem respeitos à outra realidade, em que a ciência ainda era desconhecida da maioria do povo, além da própria Igreja condena-la, sendo, ainda uma sociedade extremamente autoritária e machista.
Em que pese a burra falácia, influenciada pelo liberalismo moral personalíssimo, falemos do que realmente interessa. O sucesso, a felicidade, a prosperidade e a alegria, não são um fim último, mas sim, uma conseqüência. Hão de me perguntar, então: conseqüência de quê? Conseqüência de um estilo de vida, que nos chama à santidade, em que o fim último é Deus. Conforme fala no Evangelho e, laicizado pela nossa Carta Magna e sistema jurídico, a pessoa é a imagem e semelhança de Deus, então, por um silogismo simples, a pessoa assemelha-se ao seu Criador. Enfim, sem maiores delongas, a vida santa, consiste em uma doação a Deus, visando, em conjunto, o respeito à Pessoa Humana, afinal, ser pessoa é ser único.
Primeiramente, para melhor desenrolar do raciocínio, detenhamo-nos no conceito de Santidade. Santidade consiste, em nada mais, do que uma doação a Deus. Uma vida consagrada, de fé e de dedicação a Deus, tendo sempre Ele como um fim último, em todas as nossas atitudes. “Sede santos, porque sou santo! (I Pe 1.16)”, já dizia Pedro, o primeiro Papa. Mas, em que consiste uma vida Santa? Primeiramente, consiste na vivência dos preceitos que nos são dados pela Revelação. Não há como se falar em Santidade, sem se falar em obediência. Ainda , nesse mesmo passo, a Santidade anda lado a lado com a fidelidade. Destarte, a obediência e a fidelidade à Deus, ao evangelho, aos preceitos e paradigmas doutrinários da Santa Igreja, são, juntamente com a Fé, os pilares-base de uma vida santa.
Outrossim, cumpre ressaltar a importância do que, antropologicamente, chamamos do próprio do homem: a consciência moral. Da razão, depreendemos a consciência e a liberdade do agir. Dessa forma, temos uma conduta moralmente permeada e, assim, no nosso agir, existe um peso maior, nos tornando senhores dos nossos atos. Como cita Aristóteles, em sua célebre obra “Ética a Nicômaco”, somos responsáveis não só por nossas atitudes voluntárias, mas também pelas involuntárias, pois elas serão guiadas pelos nossos hábitos, qual sendo os vícios ou as virtudes. Assim, completo o triplex base do caminho à Santidade: a obediência e a fidelidade aos ensinamentos divinos, bem como à consciência moral que permeia os nossos atos.
Ademais, detendo-se aos pilares-bases, falemos um pouco da consagração e dedicação a Deus. No momento em que colocamos o Criador como fim último em nossas vidas, Ele acaba se tornando uma prioridade, ou seja, a nossa dedicação à vontade Divina, torna-se como a primeira opção em nossas ações cotidianas. O próximo passo, após a dedicação, é a consagração. É a vida espiritual, de oração, de dedicação à vontade divina, mas, com um intuito um pouco mais elevado do que, simplesmente, a dedicação a Deus. A consagração consiste em uma amizade maior com Deus, em uma vivência mais intensa dos preceitos divinos, onde, sem excesso de escrúpulos, a vontade Divina se faz, automaticamente, como o único caminho a ser seguido. Mas, como se afina melhor essa amizade com Deus? Primeiramente, com a oração, disciplinada, de coração e intensa. Ainda, com a recepção regular dos sacramentos. Dessa forma, seguindo tais pressupostos, indubitável o rumo à santidade.
Mas, saindo da área conceitual e partindo para uma área mais pragmática, uma vida santa não se faz apenas com tais preceitos. Além de toda essa doação e entrega espiritual, existe uma entrega corporal, um empenho e um trabalho realizado com amor que, tendo como fim último Deus, inevitavelmente, nos levará à santidade. O sacrifício e a doação corporal, na qual negamos qualquer reação da carne em observância à vontade do criador, nos auxilia e se faz como um degrau a menos que deveremos enfrentar rumo à Salvação. Outrossim, importante falar que, quanto maior for o nível de Santidade, mais difícil será a concretização do Santo. Assim, para alguém que vive em Santidade, se tornar um Santo, seu coração deverá estar totalmente pleno em Santidade, ou seja, conforme já citado, Aristóteles ensinava que, para que as suas reações involuntárias sejam virtuosas, é necessário o hábito da virtude.
Ainda, não podemos olvidar de mais questões práticas, decorrentes da ação ordinária de Deus na vida dessas pessoas. Em uma vida santa, os milagres, não raramente, acontecem, sendo a vontade de Deus sempre compatível com a felicidade do indivíduo. Criatura e criador em total sintonia, com ambos andando pelo mesmo trilho. Ou seja, a proximidade nossa com Deus faz com que alinhemos o nosso coração com o Dele, com o Seu desejo, tornando a nossa vida plena. O homem santificado se opõe ao pecado, não por pudores ou escrúpulos, mas sim, porque o amor a Deus, se faz superior a qualquer outro fator, influenciando diretamente na capacidade volitiva humana.
Dessa forma, após a definição conceitual e prática, passemos à aplicação nos nossos principais objetivos de vida: sucesso e felicidade. Sucesso e felicidade, embora seja o nosso objetivo, são apenas sentimentos. Sentimentos que, quando arrimados com o desejo de Deus, se tornam plenos e sublimes. Como já afirmava o Santo Padre Bento XVI, em sua encíclica “Caritas in Veritate”: "Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo." Ou seja, não só a caridade, mas qualquer outro sentimento, sem a Verdade ou sem Cristo, cai em um mero sentimentalismo, virando, simplesmente, um egoísmo mundano. Como já afirmava Aristóteles, Santo Tomás e a Doutrina Católica, temos como fim último a felicidade. E, assim sendo, tal felicidade só é possível com a vivência espiritual proporcionada pelo amor a Cristo.
O sucesso, da mesma forma, seja no âmbito profissional ou pessoal, virá em sua plenitude somente, quando nossos conceitos e práticas pessoais estiverem arrimados com o desejo Divino, ou seja, a realização plena, com a devida doação, resultará em um sucesso. Mas, além disso, existe uma coisa inolvidável em relação ao sucesso: a oração. O pleito dos nossos desejos, quando em consonância com a vontade divina, é essencial. Através da oração, entramos em um contato direto com Deus e, por muitas vezes, podemos receber uma resposta em contrapartida dos nossos pleitos, discordando ou não, tudo de acordo com a Sua imensa sabedoria. Tal postulação, se errônea, não será realizada e, cabe a nós, aceita-la.
Dessa forma, conclui-se que o sucesso e a felicidade plena, vem com três quesitos básicos: santidade, empenho e oração. Com a santidade, temos um coração puro e uma vida voltada à Deus. Com o empenho, temos uma doação, uma consagração carnal à vontade Divina, sempre buscando o nosso melhor e dando o nosso máximo. E com a oração, postulamos o que achamos importante e, dessa maneira, concluímos, com a Sua ajuda, o que realmente é necessário para a nossa realização plena.
Então, ante o exposto, que vivamos a Santidade, que nos empenhamos em nossos trabalhos, sempre visando a Deus, seguindo o exemplo de Cristo, para que, assim, alcancemos a plenitude em nossas vidas e, com a graça de Deus,
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